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Genética ajuda suínos

30/08/2010O rebanho suíno brasileiro mudou muito nas últimas décadas. Resultado do melhoramento genético, cruzamento entre as raças rústicas nacionais e estrangeiras, além de manejo e nutrição mais adequadas, os porcos de hoje são híbridos que oferecem um desempenho superior em relação aos antecessores criados nos anos 1960. Na busca por mais carne e menos gordura, os produtores trouxeram novas raças para o Brasil, como a large white, landrace, duroc, berkshire, hampshire e wessex. As raças célticas, asiáticas e americanas modificaram a formação das brasileiras, antes dominadas por animais portugueses trazidos pelos colonizadores.

A diversidade das raças gerou um novo patamar de desenvolvimento na suinocultura nacional. Uma nova assistência técnica, um controle sanitário adequado e o desenvolvimento da indústria frigorífica e de alimentos garantiram ao País uma proteína animal mais eficiente e contribuíram para o aprimoramento do grupo das raças brasileiras.

Segundo o pesquisador do Instituto de Zootecnia (IZ), órgão ligado à Secretaria e Agricultura e Abastecimento, Fábio Enrique Lemos Budiño, os suínos das granjas tecnificadas engordam mais rapidamente, as matrizes apresentam o dobro de produtividade por ninhada e o abate ocorre na metade do tempo. Diferentemente do que ocorria há algumas décadas, compara o pesquisador, o tempo de engorda caiu para cinco meses, período em que os animais atingem entre 90 e 100 quilos com uma alimentação à base de ração, milho e soja.

Os avanços na nutrição animal foram fundamentais para a diminuição do tempo de abate e para o aumento na qualidade da carne. “Hoje os suínos são mais magros e chegam a 90 quilos com apenas um centímetro de gordura, dependendo da ração e manejo adotados na granja”, compara Budiño. Outro avanço fundamental para a oferta do produto é o aumento do número de leitões por gestação, que passou da média de seis filhotes para 12 a 13 animais. O peso ideal de cada filhote é 1,4 quilo, com índice de mortalidade de apenas 2% durante a fase da lactação, que ocorre nos primeiros 21 dias do animal. Após esse período, o leitão é alimentado com ração farelada enriquecida.

Desenvolver alternativas que substituam o milho e a soja na alimentação dos suínos, de acordo com o pesquisador do IZ, é o principal desafio dos criadores. O uso do feno de alfafa é defendido em duas dissertações de mestrado sobre Produção Animal Sustentável, no curso de pós-graduação oferecido pelo IZ. Budiño diz que a maior parte do custo de produção está na ração do animal, produto com preço ditado principalmente pelo milho, que compõe 70% da ração, além da soja. Alguns pequenos produtores começaram a utilizar o resíduo gerado na própria lavoura como parte da alimentação.

Os novos insumos representam 10% da ração dada aos suínos. Uma das formas mais criativas de substituir os cereais é a utilização de resíduos das seções de hortifruti de supermercados e de indústrias alimentícias de lácteos e farináceos. O pesquisador do IZ ressalta que co-produtos industriais e resíduos de frutas e hortaliças não podem ser confundidos com lavagem, por não se tratar do lixo descartado por refeitórios e restaurantes. (SV/AAN)

Alimento tem 75% menos gordura
A carne suína que chega ao prato dos brasileiros contém 75% menos gordura que as carnes consumidas há 60 anos, e 27% menos de gordura saturada em relação a uma bisteca consumida nos anos 1980, por exemplo. Muitos cortes se tornaram tão magros quanto a carne de frango. É o caso do lombo, classificado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (United States Department of Agriculture — USDA) como extramagra por apresentar menos de cinco gramas de gordura, dois gramas de gordura saturada e 95 gramas de colesterol.

Além de magra, a carne de suína pode trazer benefícios à saúde, pois é rica em proteína, vitaminas e minerais, como ferro, potássio, cálcio e fósforo, além de vitaminas do complexo B, devendo estar presente em qualquer dieta balanceada. A genética contribui para essas mudanças por meio da utilização de ferramentas de seleção e de estratégias de cruzamento entre raças, explica o geneticista da Topigs, empresa de melhoramento genético de rebanho porcino, André Costa.

Para selecionar os melhores animais, os programas de melhoramento genético utilizam informações que vão desde o desempenho zootécnico antes do abate, como ganho de peso e conversão alimentar, e também dados sobre a qualidade de carcaça e de carne.

Os programas incluem, em suas estratégias de seleção, o rendimento de carne magra, o pH e a cor, que são indicativos da qualidade. Já a perda de água durante o processamento é o indicativo do rendimento durante o preparo. Outra ferramenta bastante utilizada para melhorar a qualidade de carne é a genética molecular, a partir da identificação de genes que possam afetar as características de qualidade de carne do animal.

Associado à genética, outro fator importante é o manejo, tanto de criação quanto de abate. A intensificação da produção na suinocultura tem acarretado o aumento da profissionalização da atividade. São melhorias que, unidas à adoção de rígidos padrões de condução e transporte da granja ao abatedouro, contribuem para a preservação de características da carne como maciez e suculência.

Fonte: Suinocultura Industrial


Morder pneus reduz canibalismo de leitões

10/08/2010Durante o desmame de leitões, que ocorre aos 21 dias de vida, é comum eles tentarem comer o rabo uns dos outros, baterem a cabeça continuamente e até sofrerem diarreias. Para evitar esses sintomas, que causam perdas financeiras para os produtores de porcos, um experimento da USP desenvolveu uma espécie de “brinquedo” feito com correntes e um pneu para que os porquinhos possam se distrair e, com isso, reduzir os níveis de estresse.
A pesquisa, da veterinária Juliana de Vazzi Pinheiro, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (Universidade de São Paulo), em Pirassununga, mostrou que, ao colocar os leitões desmamados em um ambiente com pneus presos em correntes penduradas no teto, esses animais passam a brincar com o objeto, o que reduz seus níveis de estresse.

De acordo com Maria de Fátima Martins, professora da USP e orientadora da pesquisa, durante a fase de desmame dos leitões é comum a ocorrência de canibalismo (eles mordem o rabo uns dos outros), de estereotipias (batem ou balançam a cabeça continuamente, tentam comer o chão e as paredes) ou ainda diarreias.

- Estes são alguns sintomas de estresse. É a chamada angústia da separação. O animal perde peso e, consequentemente, ocorrem perdas econômicas para o produtor.

Após instalarem “móbiles”, pendurando pneus em correntes, os animais interagiam com o objeto como se ele fosse um brinquedo: os porquinhos mordiam, subiam nos pneus, entre outras atividades. Com isso, os leitões se distraíam e reduziam o nível de estresse. Maria de Fátima conta que os pneus foram usados como enriquecimento ambiental.

- Trata-se de uma estratégia focada no bem-estar animal, com a finalidade de proporcionar condições mais humanitárias aos leitões.

Segundo ela, os pneus mais limpos foram os que permitiram melhores efeitos nos animais do que os pneus mais sujos: enquanto um dos grupos de leitões brincava com pneus limpos diariamente, outro grupo era exposto a pneus não lavados. Neste último também houve redução de estresse, mas em um nível inferior.

- Sabemos que os suínos gostam de se esfregar na lama. Mas este estudo mostrou que, diante do acúmulo de sujeira ou fezes, os leitões ficavam estressados.

O estudo
A pesquisa envolveu nove leitegas — cada leitegada é composta por nove a 15 leitões nascidos de um mesmo parto. Ao serem desmamados, aos 21 dias de vida, os animais foram colocados em baias.

Após isso, foram aplicados três tratamentos. No primeiro estavam animais com acesso a um pneu que era lavado diariamente. No segundo estavam leitões expostos a um pneu não lavado, e, no último, estava o grupo controle, com leitões que não receberam nenhum tipo de enriquecimento ambiental.

Os leitões foram filmados 24 horas por dia, durante 21 dias. Eles foram marcados com tinta bastão (para diferenciar um do outro) e as baias tinham controle de temperatura e umidade, variáveis que podem interferir no comportamento.

A professora acredita que os leitões com acesso ao pneu lavado diariamente tiveram um menor nível de estresse, quando comparado aos outros grupos, pois viam o móbile como uma novidade, como se fosse um novo objeto colocado no local.

- Alguns estudos mostram que as crianças que têm móbiles em seus berços são mais calmas.

Fonte: Suino.com

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